Lacan tem uma boa visão geral sobre a mente humana e seu desenvolvimento. Mas peca, ao meu entender, na interpretação do significado da vida, do eu, do outro e suas capacidades e responsabilidades como sujeito.
Desta forma estamos admitindo que o ser humano existe a partir do uso da energia vital do outro. Somos realmente vampiros?
Desconhecemos e negamos nossa ligação com a vida em si, individual, a nossa existência e desaparecimento, nesta forma que vemos, limitada, humana, no corpo físico?
Se surgimos como sujeitos, somos sujeitos, senão estamos afirmando que não temos a nossa unidade, seremos sempre condenados aos quereres externos? Será isso possível de se afirmar, nos dias de hoje?
Com todo conhecimento científico que já dispomos, todos os estudos e comprovações da física quântica, por exemplo?
Limitado, interessante , importante, como estudo, imprescindível para nosso caminho de conhecimento os estudos de Lacan, mas já fomos mais adiante. Sabemos, comprovadamente, muito mais do que era até então afirmado.
Disfarçado de “eternos questionadores de si mesmos, revendo seus conceitos permanentemente”, estes grandes personagens da nossa História declaravam VERDADES ABSOLUTAS, no momento em que só admitiam suas afirmações.
Até hoje muita gente, estudiosos, pesquisadores, movimentos da área de estudo psicológico ainda pensa dessa forma. Limitando o aproveitamento dos tratamentos psicológicos. Infelizmente deste modo potencializando as carências e dependências de seus analisandos, pacientes. Fazendo com que eles acreditem que são realmente limitados, que não tem a capacidade divina que lhes deu a vida (incontestável, já que: “PENSO, LOGO EXISTO.”) de fazer suas próprias escolhas e se responsabilizar por elas.
Importante demais percebermos que a escala evolutiva é individual, cada um segue sua “escada virtual” rumo à evolução. Cada um no seu momento, na sua compreensão.
Não existe ser humano algum que esteja acomodado em um terraço, apenas olhando para baixo, como se estivesse “pronto”, acima dos outros.
O maior pecado da atualidade, ou diria, da humanidade (se podemos chamar de pecado), é a necessidade de COMPARATIVOS.
É uma ilusão imaginarmos que existe O MELHOR, O MAIOR, O PIOR, O GANHADOR, O PERDEDOR.
Se cada um é uno, único, não existe comparação para nada, só observação de que cada um corresponde a si e é DIFERENTE dos outros.
Constatação de que, se todos percebessem esta armadilha, quanto ganharíamos em qualidade de vida, de aprendizado, diminuiríamos sofrimentos e repetições de erros e dores.
São apenas algumas considerações sobre o pensamento psicanalítico de Lacan, mas de muitos outros também, na sua grande maioria.
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